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INADEQUAÇÃO DO ADULTO - CRIANÇA INTERIOR

Terça-feira, 06.03.07
 
 
 CRIANÇA INTERIOR
Quando uma criança nasce, a alegria irrompe no lar. Ela traz consigo uma tendência natural para só transmitir amor. Quando sorri toda a gente sorri e quando chora já ninguém sabe o que fazer. Todos estão prontos a ocorrer para satisfazer a mínima necessidade que ela pareça ter. É como um milagre. Tudo lhe é provido sem que tenha que articular uma só palavra.
Que se passou, entretanto? Porque é que quando crescemos, olhamos ao nosso redor e vemos que esse poder desapareceu?
Aprendemos a olhar para o mundo com antagonismo e individualismo. Aprendemos o significado de maldade, culpa, limitação e morte. O amor é aquilo com que nascemos. O medo é o que aprendemos aqui. Renunciar ao medo é o objectivo principal desta viagem a que chamamos vida. Viver uma vida sem conhecer o amor é condenar-se ao sofrimento e à depressão.
Muitas crianças em todo o mundo cresceram e tornaram-se adultas fisicamente mas não emocionalmente. São o resultado do abandono e de todo o tipo de abusos durante a infância. A negligência no atendimento das suas necessidades de afecto, carinho e apoio impediram o desenvolvimento de uma infância saudável. São o resultado de um ambiente familiar desequilibrado.
Quando uma infância não é saudavelmente desenvolvida, isto é quando não são satisfeitas as suas necessidades psicológicas essenciais existirá um desenvolvimento físico normal mas, inevitavelmente, esse ser agora adulto sentirá no seu interior uma criança que, psicologicamente, continuará ferida e abandonada. Emocionalmente sentir-se-á uma criança num corpo de adulto. Será uma pessoa caracteristicamente agressiva e extremamente insegura embora com um coração peno de amor que nunca foi despejado por não ter com quem o trocar. Está bloqueado. Por isso não sente alegria nem sabe brincar. Leva tudo a sério.
Quando pergunto a um desses adultos como foi a sua relação com os pais, a sua expressão até ali dura, transforma-se numa expressão de surpresa e os seus olhos humedecem-se. Cai a máscara. Sentem-se envergonhados. Muitas pessoas choram. Algumas não o faziam desde crianças. Depois sentem-se melhor.
Aquilo que compõe o conhecimento que temos de cada um de nós, ou seja aquilo que queremos significar quando dizemos "eu sou…" é o nosso conceito interno. Ele forma-se com os nossos primeiros sentimentos, crenças e memórias.
É o filtro através do qual passarão as novas experiências. Por isso imagine-se como é importante uma infância saudável. Isso explica porque existem pessoas que escolhem continuamente o mesmo tipo de relação amorosa destrutiva; é também a razão pela qual para alguns a vida é uma repetição de uma série de traumas; a razão porque é que não conseguem aprender com os próprios erros. Freud chamou a esta insistência "o impulso da repetição". Alice Miller, chamou-a de " lógica do absurdo".
Por isso é fundamental compreender que se sentirmos que a nossa vida está carregada de problemas que parecem repetir-se, isso deve-se ao nosso conceito interno e que se a queremos mudar teremos que analisar o nosso "eu" , a nossa criança-interior que o compõe e trabalhar nela. Ajudá-la a desfazer os medos, e garantir-lhe que já ninguém lhe poderá fazer mal. Já é adulta e poderá defender-se.
Um exemplo do aparecimento da nossa criança-interior feliz é quando nos rimos às gargalhadas e quando somos criativos e expontâneos. A criança-interior ferida aparece quando fazemos más-caras, mentimos ou fazemos birras. O melhor exemplo da criança-interior irritada é-nos dado por John Bradshaw: " quando nos recusamos a atravessar um semáforo vermelho mesmo sabendo que ele está avariado, que não há mais ninguém à nossa volta e que nada pode acontecer de errado".
As crianças que têm uma infância reprimida tornam-se adultos pensando que o mundo lhes é hostil e que têm de defender-se dele. Para eles este é um mundo perigoso e ameaçador. Assim foi o seu ambiente familiar
Quando nascemos, os primeiras rostos que vemos e que aprendemos a reconhecer com alegria, são os dos nossos pais. Como é bom sentir o peito cálido da nossa mãe quando nos dá de mamar ou nos aconchega no seu colo. Sentir a batida familiar do coração que nos acompanhou durante tantos meses. Como é bom ouvir a sua voz doce que nos embala para adormecer. Como é seguro sentir os braços fortes do nosso pai que nos abraça e nos defende, que nos levanta e nos anima quando caímos. Em quem poderíamos confiar mais? Lavam-nos, mudam-nos as fraldas, dão-nos de comer e ensinam-nos a andar e a falar. Tínhamos alternativa?
Que pensará uma criança quando vê aqueles em quem ela mais confiava, espancarem-na, envergonharem-na, humilharem-na, abandonarem-na, e às vezes, em situações mais deploráveis, roubarem-lhes a própria vida.
Muitos pais são vitimas de vitimas. Não podem dar o que não receberam. Era a informação que tinham. São adultos apenas fisicamente. Não cresceram psicologicamente e vivem apavorados nesse papel.
Imaginem por um momento o vosso pai com três anos de idade. Vejam-no com as lágrimas correndo pelo pequeno rosto, percorrendo os cantos da casa à procura de alguém que o ouça porque se magoou ou porque simplesmente procura a mãe que não encontra porque ela o deixou sozinho para ir trabalhar. Intuitivamente não compreende como pode ser tão diferente a realidade que experimentou no interior do ventre da sua mãe e esta realidade que lhe proporcionam agora. Ele não pediu para nascer. Ninguém o ouve. Muitas vezes, quando quer chamar a atenção batem-lhe para que se cale. Vai para a cama sem uma história de embalar. Não bebe o leite morno para aconchegar. Ninguém lhe ajeita as roupas da cama. Ninguém brinca com ele em casa. Não se dirige às pessoas em quem mais confia porque parece que cada vez que o tenta fazer, elas ficam zangadas com ele e até lhe batem para que não as incomode. Aprende a reprimir para sobreviver. Parecem culpá-lo de tudo o que se passa na casa. Da falta de dinheiro, de não poderem ir ao cinema ou à festa que desejavam ir. É um empecilho. Os filhos dos vizinhos são sempre mais inteligentes e bem comportados do que ele. É o que lhe dizem repetidamente. Se este fosse o seu pai como poderia considerá-lo culpado?
Uma criança neste ambiente acaba por considerar-se alguém horrível. Cria por isso um conceito interno que a faz envergonhar-se e preferir o isolamento. Não quer que os outros descubram o quão horrível é. Cria um falso "eu". E é esse "eu" que lhe permitirá sobreviver no tal mundo hostil que a rodeia. Cria uma fachada. Aprende que fazer má cara afasta os indesejáveis. Era assim que o seu pai fazia. Quando algo não corre como ela quer, grita ou bate. São regressões expontâneas. Foi isso que viu fazer na infância. À mínima contrariedade desiste. Não tem confiança nela própria porque não lhe foi possível incorporar essa característica no seu auto-conceito .
Abandona facilmente. Provavelmente porque também alguma vez terá sido abandonado.
Perante contrariedades ou confrontos engole a raiva e toma a única atitude que lhe permitiram ter quando era criança : castigar os adultos com a retirada. Nada mais podia fazer. E amua. Nunca teve a oportunidade de sentir o apoio forte e amigável do pai. Não foi apoiada no inicio da sua caminhada. Por isso todos são seus inimigos. Na idade adulta a esposa substitui a mãe que emocionalmente não teve. Não tem um circulo de amigos porque tem medo de se expor. Tem medo que descubram tudo de mau que ele é. A verdade é que se ele fosse bom os pais não lhe teriam batido, nem lhe teriam dito aquelas coisas horríveis, pensa.
Eles disseram-lhe, vezes sem conta, que não havia nada que ele fizesse bem. Que não estudava o suficiente. Que não era capaz e que por isso nada merecia. Ele pensa então que, se as outras pessoas souberem como ele é realmente, irão também abandoná-lo ou agredi-lo. Foi assim que aconteceu com os seus pais. E querem evitar essa dor de novo. Querem evitar mais uma desilusão. É doloroso. Preferem por isso o seu mundo privado. Assim ninguém os decepcionará. Tornam-se obsessivamente controladores. Controlam tudo porque: "se eu controlar tudo ninguém me poderá apanhar desprevenido e magoar-me".
Penso ser importante frisar esta matéria porque cada vez mais existe uma tendência na sociedade moderna a menosprezar a importância que este fenómeno tem na explicação da depressão e no aparecimento da doença física. Vivemos numa época e adoptamos um modo de vida que é propício a negligenciar a infância dos nossos filhos que, se não tiverem a oportunidade de ter uma infância apoiada, experimentarão um sem número de conflitos em todas as áreas da sua vida adulta. Geram-se assim comportamentos compulsivos que geram alcoólicos, pesados fumadores, obsessão sexual, sucessivos divórcios, etc….
Hitler foi espancado continuamente na sua infância, foi humilhado e envergonhado de forma perniciosa por um pai sádico que era um filho bastardo de um cabo judeu. Veja-se como ele usou a crueldade que usaram consigo contra milhões de inocentes.
Como já foi dito, uma outra característica comum nestas pessoas é uma adição ou compulsão. A criança-interior ferida é a causa principal de todas as adições. Se o pai era alcoólico e o abandonou física e emocionalmente quando criança, ele não sabe como comportar-se como pensa que um homem se deve comportar. Bebe e fuma para demonstrar que é um homem. Mas fá-lo por imitação, sem confiança. Poderá ter outras adições como o sexo, o jogo e os rituais religiosos.
A nossa criança-interior ferida pede que a cuidemos. Quer atenção. Que brinquemos com ela. Que lhe demos segurança porque ela sente-se assustada. E, enquanto não for feito um trabalho de recuperação da nossa criança-interior, levando-a a um crescimento saudável, as nossas vidas serão muito dolorosas e carregadas de solidão e amargura. Uma criança-interior revoltada pode ser bastante caprichosa e tornar-nos a vida num inferno.
Os nossos pais não são culpados. Eles comportaram-se de acordo com a informação que possuíam. Eles também eram vítimas. Não lhes ensinaram mais. Compreender este processo é perdoar. É desvalorizar. A nossa vida muda drasticamente quando abraçamos aqueles que tememos. Então percebemos que dentro dessa mascara que durante tantos anos nos assustou, afinal estava apenas uma criança tão assustada como nós. Tinham esse aspecto apenas para se protegerem. Eles não sabiam fazer melhor pois ninguém lhes ensinou. A sua fúria era proporcional ao medo que sentiam. Então em vez de castigá-los podemos ampará-los e libertá-los da culpa que afinal nunca tiveram.
Uma vez recuperada e cuidada a nossa criança- interior, a energia criativa que lhe é natural começa a surgir nas nossas vidas. Uma vez bem integrada, ela é uma fonte de regeneração e de nova vitalidade. Carl Jung chamou à criança natural "criança maravilhosa", o nosso potencial nato de exploração, admiração e criatividade. Essa criança-interior aparece naturalmente quando nos encontramos com um velho amigo, quando nos rimos às gargalhadas, quando somos criativos e expontâneos, quando nos extasiamos perante uma paisagem maravilhosa.
Trabalhar com a nossa criança-interior é a forma mais rápida de efectuar mudanças nas pessoas. É um processo que permite uma transformação verdadeira e duradoura.
Devemos pois analisar-nos e dedicar-nos todos os dias uma parte do nosso tempo. Muitas vezes pergunto à minha criança-interior onde é que lhe apetece ir e levo-a lá. Muitas vezes apetece-lhe ir ao cinema e levo-a. Apetece-lhe ver as outras crianças a brincar num parque e vou até lá. Outras vezes quer que eu lhe compre um gelado e eu compro-lho. Pergunto-lhe também muitas vezes, porque está triste. E ela responde-me que gostaria de se divertir, então eu levo-a a ver uma boa comédia no cinema.
Muitas das mudanças que gostaríamos de ver nas nossas vidas e na maneira como a percepcionamos estão ao nosso alcance desde que atendamos à criança que todos levamos dentro de nós."....
Cumprimentos
Fernanda
 
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por Escola Qtª Morgados às 22:10




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